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A cidade no campo de visão social

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  A cidade sempre esteve em conformidade com as pretensões humanas, no que diz respeito a toda sua simbologia, representação e infinidade de informações, que esboçam a transitoriedade da condição da vida humana, que busca incessantemente, sob um gesto natural e mecânico, se adequar ao espaço construído, ocupá-lo e molda-lo de acordo com suas exigências e necessidades. Este mesmo conformismo possui caráter contraditório quando analisamos o resultado de nossas construções e também a maneira como nos apropriamos dos espaços urbanos, que a cada vez mais favorecem a soberania dos veículos automotores nas cidades de forma progressiva e autoritária, afastando lentamente todo o conceito de caminhabilidade que, sob um olhar mais poético, além de proporcionar acessibilidade necessária para deslocamentos livres e confortáveis, sugere, acima de tudo, uma contemplação assegurada do ambiente urbano, uma vez que o nosso contato com a cidade se torna mais íntimo quando caminhamos, pois é através d...

" Sustentabilidade: por onde começar?"

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  Tudo é uma troca, uma barganha natural, perpétua e imutável no que diz respeito à relação entre o homem e a natureza. Esta relação fica ainda mais evidente quando analisamos o significado da expressão: “A paisagem muda, a pessoa muda. A pessoa muda, a paisagem muda”. Observe que o termo “paisagem” pode ser facilmente substituído por “cidade”, sem correr o risco de comprometer o sentido principal da sentença, reforçando justamente esta relação de ordem natural que influencia e transforma o meio urbano, constantemente, assim como a mecânica de todo organismo vivo – simples ou complexo- que organiza-se e desenvolve-se com a finalidade de manter-se em equilíbrio, como forma de autoconservação. Todo aquele que possui um mínimo de autoconsciência conclui, logo de imediato, que somos inevitavelmente afetados e influenciados pela esfera social que habitamos, assim como o meio urbano, que é a manifestação da vontade humana constituída maiormente pelos seus anseios de consumo e também de s...

Ensaio sobre a arte de projetar em arquitetura

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  Todo aquele envolvido em alguma atividade laboral, independente de um título ou área que representa, mas que busca através de sua ocupação elevar a rentabilidade acima das virtudes do trabalho realizado com devoção e que considera somente o lucro como objetivo principal, está fadado a uma vida medíocre, desprovida de um propósito de verdadeiro valor, pois sua ocupação é tão infrutífera quanto desonrosa perante aqueles que realizam a mesma atividade com ardor, respeito e comprometimento. Embora este primeiro acredite cegamente que esteja realizando algo grandioso, sua grandeza equivocada se compara a um delírio que se agrava ainda mais quando ocorre no coletivo, intensificando ainda mais esta esfera de futilidades e trabalhos improdutivos, onde suas “grandes obras” acabam por enriquecer seus bolsos, mas empobrecem o seu espírito. No campo da arquitetura, projetar apenas pela remuneração é ainda mais grave e intolerável, pois a arquitetura é uma arte nobre, que exige a mesma nobr...

As Sociedades de Risco, o Mundo Líquido e os desafios dos planejadores contemporâneos

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  O excesso de consumo que estampa o modo de vida da sociedade moderna, é um dos fatores que mais caminha em direção oposta às tendências sustentáveis que vêm surgindo como forma de apelo da minoria que compreendeu não somente a brevidade da vida, mas também a finitude dos recursos naturais indispensáveis à nossa subsistência, que representam a fonte vital da preservação e manutenção da vida humana. Os aspectos negativos da sociedade atual, em toda a sua abrangência, exprimem as ideias provenientes dos conceitos “sociedade de risco” e “mundo líquido”, de acordo com as concepções do sociólogo alemão Ulrich Beck e sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, respectivamente, pois ambos os termos pertencem às dimensões humanas e correlacionam-se de tal modo, que não seria incoerente imaginarmos uma reformulação que os estabelecesse como uma “sociedade de risco líquida”, que representa de modo ainda mais elementar, a uma sociedade de risco inserida no mundo líquido. Esta breve experi...

"Urbano, Demasiado Urbano": um breve ensaio sobre o contexto urbano atual

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  Nietzsche em “Humano, Demasiado Humano” faz um rompimento com os conceitos metafísicos de sua época que idealizavam a transformação da cultura Alemã através da arte. Sob uma nova percepção acerca destes conceitos, passou a combater a metafísica através da ciência, compreendendo a subjetividade humana e valorizando aquilo que é intrínseco ao homem , isto é, sua natureza, sua essência de maneira pura e livre de simbologias. A expressão “Urbano, Demasiado Urbano” , título da obra de Javier Viveros, lançada em 2009, aborda o problema da poluição das cidades e faz uma relação do modo de vida moderno com uma espécie de “alucinação em marcha”. Mais adiante, BOCAYUVA(2010) resgata a máxima, e assim como Viveros, faz a seguinte reflexão: “ Atordoados pela profusão de informações, signos, símbolos, publicidade e objetos necessários para uma adequada participação no modo de vida cotidiano, somos rapidamente capturados para pensar a cidade através das metáforas da segunda modernidade, ou se...

Pessoas em situação de rua nos centros urbanos: "invisíveis aos olhos da sociedade".

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Entender os fatores que levam um determinado indivíduo a morar nas ruas, é uma tarefa tão complexa quanto podemos imaginar. Em uma primeira análise, observa-se um grupo seleto, onde a maioria em fase adulta e meia-idade fazem das ruas a sua morada e dela sobrevivem em condições precárias com total insegurança, sujeitos à violência, suscetíveis às mais variadas doenças e aos fatores mais improváveis que possam ocorrer. Outro aspecto pouco retratado pela mídia é a forma como o morador de rua vem se tornando invisível aos olhos da sociedade, uma espécie de ser incomum infiltrado no contexto da cidade que dela não tira proveito e muito menos participa, ocasionando certo desgaste psicológico, devido ao seu isolamento do meio social. Seguindo por essa linha de raciocínio, estaríamos sugerindo o fator psicológico como abertura para o esclarecimento do problema, o que nos levaria às mais profundas indagações sobre o comportamento humano e o seu papel na sociedade.   A relação entre o h...

A participação da sociedade em audiências públicas e a revisão do Plano Diretor de São Paulo

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Vemos com demasiada frequência as mais variadas objeções acerca dos problemas das cidades, que vão além do campo de visão da grande maioria da sociedade e que, de certa forma, está limitada a apenas observar e assistir a degradação - quase que mecânica- não só dos grandes centros urbanos mas também das regiões mais segregadas, como por exemplo as favelas e pequenas comunidades. Nesse sentido, constata-se que se trata de uma questão de cultura social – ou “má cultura” social estabelecida, onde a população atua sem perceber como espectador e, simultaneamente, protagonista do caos urbano – este previamente anunciado- e é diretamente afetada pelos mais diversos problemas urbanos que já conhecemos.  No que diz respeito a “má cultura social”, o que nos ocorre é o seguinte pensamento: como ela se estabeleceu se os veículos de comunicação dos órgãos gestores dos municípios promovem o devido acesso à informação? Este é o ponto. Tratamos aqui da efetividade e consequentemente da eficácia des...