" Sustentabilidade: por onde começar?"
Tudo é uma troca, uma barganha natural, perpétua e imutável no que diz respeito à relação entre o homem e a natureza. Esta relação fica ainda mais evidente quando analisamos o significado da expressão: “A paisagem muda, a pessoa muda. A pessoa muda, a paisagem muda”. Observe que o termo “paisagem” pode ser facilmente substituído por “cidade”, sem correr o risco de comprometer o sentido principal da sentença, reforçando justamente esta relação de ordem natural que influencia e transforma o meio urbano, constantemente, assim como a mecânica de todo organismo vivo – simples ou complexo- que organiza-se e desenvolve-se com a finalidade de manter-se em equilíbrio, como forma de autoconservação.
Todo aquele que possui um mínimo de autoconsciência conclui, logo de imediato, que somos inevitavelmente afetados e influenciados pela esfera social que habitamos, assim como o meio urbano, que é a manifestação da vontade humana constituída maiormente pelos seus anseios de consumo e também de segregação social, devido ao forte individualismo enraizado em cada um de nós, que representa um grande gargalo para a sociedade contemporânea e, consequentemente, para a humanidade, pelo fato de nos distanciar de todos os impulsos e intenções altruístas, de coletividade e de solidariedade que necessitamos para a manutenção da harmonia global. Durante séculos, temos encarado nossas vidas como se os recursos naturais disponíveis fossem sempre ilimitados e abundantes, desprezando toda a ideia de conservação e equilíbrio destes recursos que são fundamentais para nossa subsistência e principalmente para a garantia de vida das gerações futuras. Nenhum outro animal oferece tamanho risco e causa tanto dano ao planeta e a si próprio como o ser humano. O homem, este animal racional, pouco ou nada compreendeu que sua “inteligência” o traiu neste sentido, levando-o a uma falsa crença de que é superior às demais espécies, logo, suas vidas pouco importam a ele, esquecendo-se de que, como dito anteriormente, tudo é uma troca, onde se obtém através dessa permuta, a conservação de toda a biodiversidade e a possibilidade de uma vida mais sustentável e equilibrada.
Ao abordarmos a questão da sustentabilidade, nos deparamos com uma variedade de interpretações que a tornam um tanto complexa e este fenômeno pode ser explicado devido o termo possuir uma universalidade de alcance e de aplicabilidade, podendo surgir nos mais variados contextos inseridos nas esferas sociais, econômicas e ambientais, adaptando-se, aperfeiçoando-se de modo a garantir maior eficiência no objetivo em que for empregada. De um modo geral, a sustentabilidade pode ser compreendida - em poucas palavras - como a preservação e melhoria de algo ou alguém, de outro modo, é o aperfeiçoamento de um sistema - aqui compreendido como um procedimento e não um objeto - de qualquer natureza ou a preservação e melhoria da qualidade de vida de um determinado indivíduo ou grupo de pessoas, desta forma, quando se pretende melhorar um mecanismo ou determinada estrutura, é válido afirmar que há uma pretensão em tornar este sistema ou metodologia mais sustentável, o mesmo pode ser considerado em relação à qualidade de vida de um indivíduo ou de uma sociedade. Na prática, a sustentabilidade pode - e deve - ser representada por uma forte aliança entre as entidades governamentais e a sociedade civil quando a sua implementação ocorrer em uma escala macro, ou quando manifestada unicamente pelo indivíduo e, neste caso cabe especificamente ao cidadão comum, reconsiderar seus hábitos, ciente de que a somatória de pequenas mudanças comportamentais – mesmo que singulares - contribuem diretamente com o desenvolvimento sustentável.
Com relação à atuação dos profissionais, vale considerar primeiramente, avaliar se as instituições de ensino público e privadas estão realizando um trabalho efetivo acerca da educação ambiental, área que deve ser explorada desde os primeiros anos de ensino, de modo que as crianças de hoje despertem o quanto antes uma consciência ecológica com base sólida e definitiva, pois certamente, estas se tornarão adultos mais conscientes quanto ao vínculo existente entre o homem e a natureza, formando então, uma sociedade mais sustentável. Outro ponto que merece grande atenção, pois é de extrema relevância no que diz respeito à formação de uma personalidade sustentável e, que impactaria positivamente o modo de vida futuro, seria a revisão do plano de ensino atual com a inclusão de três disciplinas fundamentais que contribuem com a tríade da sustentabilidade, sendo elas a Educação Ambiental (esfera ambiental), trazendo o ensino básico sobre a importância da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente, a Educação Financeira (esfera econômica) que irá inserir a criança, de forma gradual e didática nos conhecimentos sobre gestão econômica para que este futuramente saiba administrar sua vida financeira de forma equilibrada e, por último, a reinclusão do ensino da disciplina de filosofia, com a pretensão de elevar o senso crítico assim como o nível cultural da criança, estimulando a reflexão, o discernimento, contribuindo também para a formação intelectual e o desenvolvimento das boas virtudes, dos valores éticos e morais, sendo assim, com a aplicação aprofundada deste método, é bastante provável que a sociedade futura seja transfigurada, formada por cidadãos mais resilientes, que não se frustram tão facilmente quanto as adversidades da vida e acima de tudo, capazes de contribuir ativamente com o desenvolvimento sustentável das cidades, através de atitudes mais ponderadas e assertivas. Sabendo que a conversão do comportamento humano é um empreendimento vagaroso e profundo, com base na ordem natural dos eventos e na própria história, devemos buscar ações imediatistas e pressionar firmemente as entidades governamentais, devido seu grande potencial transformador, para que haja um ativismo mútuo em prol da disseminação de uma consciência ecológica e global.
Portanto, como a garantia da vida futura se sustenta nas ações da sociedade atual, o ponto de partida para uma mudança social de impacto está na educação, pois é mediante seu caráter edificante que é construída a identidade daqueles que futuramente, ocuparão os grandes cargos do setor público e poderão, como agentes transformadores e realizadores, contribuir de forma justa e virtuosa para o bem comum.

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